Viver na Europa
7 cidades da Itália para conhecer durante o processo de cidadania
Para o descendente, as cidades da Itália que mais valem a visita durante o processo de cidadania são as de onde a família saiu. Treviso, Vicenza, Pádua, Mântua, Nápoles, Cosenza e Trento estão nas regiões que mais mandaram imigrantes ao Brasil, e a viagem pode incluir o comune, a paróquia e o arquivo da família.
Escrito e revisado por
Tammy CavaleiroAtualizado em 14 min de leitura

Neste artigo13 seções
O essencial
- Cerca de 30% dos italianos que vieram ao Brasil na grande imigração eram do Vêneto, seguidos por Campânia, Calábria e Lombardia, segundo o IBGE.
- Antes de ir ao comune, procure o registro no Portale Antenati e peça a certidão de nascimento por escrito, com o número do ato.
- Antes de 1866, o registro da família está nos livros da paróquia ou no arquivo diocesano.
- Sem cidadania europeia, o brasileiro fica até 90 dias em 180 no espaço Schengen, e desde 10 de abril de 2026 o EES registra cada entrada e saída.
- Viajar não é condição do processo: na via judicial, em geral, você é representado por advogado habilitado na Itália.
Para o descendente, as cidades da Itália para conhecer durante o processo de cidadania são, em primeiro lugar, as de onde a família saiu. Segundo o IBGE, cerca de 30% dos italianos que vieram ao Brasil na grande imigração eram do Vêneto, seguidos por gente da Campânia, da Calábria e da Lombardia. Esta página reúne sete cidades dessas regiões e do Trentino, com o motivo de cada uma importar para o descendente brasileiro, o que ver nela e como aproveitar a viagem para visitar o comune, a paróquia e o arquivo da família.
Por que escolher a cidade pela imigração
A viagem do descendente rende mais quando passa pelo lugar onde a família vivia. É lá que estão o registro de nascimento do italiano, os livros da paróquia e, às vezes, parentes que ficaram.
O livro Brasil: 500 anos de povoamento, do IBGE, conta que entre 1870 e 1920 chegaram ao Brasil cerca de 1,4 milhão de italianos. Os vênetos foram cerca de 30% do total, seguidos pelos habitantes da Campânia, da Calábria e da Lombardia. Os primeiros, do Norte, foram para as fazendas de café de São Paulo e para as colônias do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e do Espírito Santo. Os do Sul vieram logo depois.
O Trentino entra na lista por outro caminho. Em 1875 a região ainda pertencia ao Império Austro-Húngaro, e os trentinos que fundaram Nova Trento, em Santa Catarina, saíram de lá como súditos austríacos.
| Cidade | Região | Por que importa para o descendente |
|---|---|---|
| Treviso | Vêneto | O Vêneto mandou cerca de 30% dos imigrantes italianos. Trevisan quer dizer vindo de Treviso |
| Vicenza | Vêneto | Mesma região de origem. Visentin quer dizer vindo de Vicenza |
| Pádua | Vêneto | Mesma região de origem. Pavan quer dizer vindo de Pádua |
| Mântua | Lombardia | A Lombardia está entre as quatro regiões que mais mandaram gente ao Brasil |
| Nápoles | Campânia | Segunda região de origem e um dos portos de onde os emigrantes partiam |
| Cosenza | Calábria | Terceira região de origem, com sobrenomes que ainda marcam famílias brasileiras |
| Trento | Trentino | Origem dos fundadores de Nova Trento, que saíram sob o Império Austro-Húngaro |
1. Treviso, no Vêneto
Treviso é a cidade para quem tem família vêneta e quer começar pela capital de uma província de onde saíram imigrantes para o Brasil. O sobrenome Trevisan, um dos vênetos mais comuns no Brasil, quer dizer justamente "vindo de Treviso", como mostra o nosso guia de sobrenomes italianos e sua origem.
O que ver, segundo o portal oficial de turismo da Itália: o canal dos Buranelli, a Piazza dei Signori com os seus palácios, os pórticos da Calmaggiore, o Duomo românico e a igreja gótica de San Nicolò. Dá para caminhar pelas muralhas e pela margem do rio Sile.
Na província ficam as colinas do Prosecco de Conegliano e Valdobbiadene, inscritas como patrimônio da UNESCO em 2019, e Asolo, Follina e Possagno, onde está a casa natal do escultor Antonio Canova.
2. Vicenza, no Vêneto
Vicenza é a escolha de quem tem família da província vicentina e quer juntar a busca com uma das cidades mais bonitas do Norte. O sobrenome Visentin, comum entre descendentes de vênetos, quer dizer "vindo de Vicenza".
A cidade de Vicenza e as vilas de Palladio no Vêneto são patrimônio da UNESCO desde 1994, segundo a lista do Ministério da Cultura italiano. No centro, o portal de turismo indica a Piazza dei Signori, a Basílica Palladiana, o Teatro Olímpico e o Palazzo Chiericati. No alto do Monte Berico fica o santuário da Madonna di Monte Berico.
Na província, Bassano del Grappa, Marostica e Asiago completam o roteiro. Do mirante de Bassano se vê a Valsugana, o vale que segue para o Trentino e de onde saiu boa parte dos fundadores de Nova Trento.
3. Pádua, no Vêneto
Pádua serve a quem tem família da província paduana e a quem tem devoção a Santo Antônio, que o Brasil conhece como Santo Antônio de Pádua. O sobrenome Pavan quer dizer "vindo de Pádua".
O que ver, pelo portal de turismo: a Capela dos Scrovegni, com os afrescos de Giotto, a Basílica de Santo Antônio, o Palazzo della Ragione, o Palazzo del Bo, com o teatro anatômico e a cátedra de Galileu, a Piazza delle Erbe e o Prato della Valle. O Jardim Botânico da universidade, criado em 1545, é patrimônio da UNESCO desde 1997.
Pádua, Vicenza e Treviso ficam perto umas das outras e de Veneza. Para quem tem família vêneta, as três podem caber numa mesma base de hospedagem.

4. Mântua, na Lombardia
Mântua é a cidade para quem tem família da planície lombarda. A Lombardia está entre as quatro regiões que o IBGE aponta como principais origens, e as famílias de Mântua também partiram para o Brasil. Em 16 de agosto de 1887, o então bispo de Mântua, Giuseppe Sarto, que depois seria o papa Pio X, escreveu aos 305 paroquianos de Castelbelforte que partiam para o Brasil, segundo os anais do congresso Emigrazione lombarda (2015).
Mântua e Sabbioneta são patrimônio da UNESCO desde 2008. Pelo portal de turismo, a cidade foi construída em volta de três lagos formados pelo rio Mincio e é a cidade de Virgílio e dos Gonzaga. O Castelo de San Giorgio, mandado construir por Francesco I Gonzaga, foi residência de Isabella d'Este. Sabbioneta, erguida do zero por Vespasiano Gonzaga na segunda metade do século XVI, fica na mesma província.
Colombo e Brambilla estão entre os sobrenomes mais típicos da Lombardia. Se a certidão da sua família diz só "Lombardia", a cidade de origem precisa ser achada antes da viagem.

5. Nápoles, na Campânia
Nápoles é a cidade para quem tem família do Sul e quer ver o porto de onde muitos emigrantes partiram. O Portale Antenati, do Ministério da Cultura italiano, cita Palermo, Nápoles e Gênova como os principais portos da grande emigração. O Arquivo de Estado de Nápoles guarda a série completa de passaportes da Questura de Nápoles, de 1888 a 1932, e algumas listas de embarque de 1883 a 1887.
O centro histórico de Nápoles é patrimônio da UNESCO desde 1995. Pelo portal de turismo, a Piazza del Plebiscito, o Palácio Real, o centro histórico e o lungomare com o Vesúvio ao fundo cabem num roteiro de dois dias. Pompeia e Herculano ficam perto e também são patrimônio da UNESCO.
Esposito, o quarto sobrenome mais comum da Itália, era o nome dado a crianças deixadas nas igrejas de Nápoles e da Campânia. Ter esse sobrenome na família aponta para a região, mas não prova a cidade.

6. Cosenza, na Calábria
Cosenza é capital de província no norte da Calábria e uma porta de entrada para quem tem família do interior da Calábria, a terceira região de origem dos imigrantes italianos no Brasil, segundo o IBGE. Sobrenomes com acento na última sílaba, como Laganà, Nisticò e Cutrì, são típicos da região.
O portal de turismo descreve o centro histórico de Cosenza como um dos mais antigos e bonitos da Calábria, com ruas estreitas na margem do rio Crati. O Duomo foi declarado pela UNESCO "patrimônio testemunho de uma cultura de paz" em 2011. Ao lado dele, o Museu Diocesano guarda a Stauroteca, a cruz relicário que a tradição diz ter sido doada por Frederico II. Na província ficam o Parque Nacional da Sila e o do Pollino.
Na Calábria, muitos imigrantes vieram de vilarejos pequenos do interior. Vale confirmar no documento o nome atual do comune antes de montar o roteiro, porque o nome que a família guardou pode ser o de uma fração dele.
7. Trento, no Trentino
Trento é o ponto de partida para quem descende dos trentinos de Nova Trento e de outras colônias do Sul. Segundo a Província Autônoma de Trento, Nova Trento foi fundada por emigrantes trentinos entre 1875 e 1892, a maioria da Valsugana. Santa Paulina, a primeira santa brasileira, emigrou em 1875 de Vigolo Vattaro, no Trentino.
O que ver, pelo portal de turismo: o Castelo do Buonconsiglio, sede dos príncipes bispos até 1803, com os afrescos dos meses do ano na Torre dell'Aquila, e o espaço arqueológico subterrâneo da antiga Tridentum, embaixo da cidade. As Dolomitas, patrimônio natural da UNESCO desde 2009, têm parte dos seus maciços na província de Trento.
Para a pesquisa, a Província mantém o banco Nati in Trentino, com mais de um milhão de fichas de nascidos na região entre 1815 e 1923, tiradas dos registros de batismo das paróquias.
O caso trentino na cidadania
Quem saiu do Trentino antes de 1920 saiu de território austro-húngaro, e a lei italiana tratou os descendentes dessas pessoas à parte. A Lei 379/2000 permitiu o reconhecimento para descendentes de quem nasceu e morava nos territórios do antigo império incorporados pela Itália e emigrou entre 25 de dezembro de 1867 e 16 de julho de 1920, segundo o resumo do consulado italiano em Koper. A declaração podia ser feita até 20 de dezembro de 2010. Hoje, o caso de uma família trentina precisa de análise própria antes de qualquer pedido.
Como visitar o comune da sua família
Para visitar o comune da família com proveito, prepare a visita no Brasil: descubra o nome do comune, veja o que já está digitalizado e avise antes o escritório que você quer encontrar. São três lugares diferentes, e cada um guarda uma coisa.
Antes de ir: o Portale Antenati
O Portale Antenati reúne registros civis digitalizados dos Arquivos de Estado italianos. O registro civil do Reino da Itália vale desde 1º de janeiro de 1866, e cada ato era feito em duas vias: uma fica no comune, e a outra seguiu para o tribunal e depois para o Arquivo de Estado da província. É essa segunda via que costuma estar no portal. No Sul, onde o registro civil napoleônico continuou depois de 1815, os registros começam antes.
Procure no portal o ato de nascimento do italiano, o de casamento dos pais dele e os índices anuais e decenais do comune. Se achar, anote o ano, o número do ato e o nome do arquivo. Com isso, o pedido ao comune fica preciso.
Se você ainda não sabe o comune, comece pelos documentos brasileiros: a certidão em inteiro teor de casamento ou de óbito do imigrante, os registros de chegada no porto e os documentos de parentes.
No comune: o ufficio di stato civile
O ufficio di stato civile é o escritório do comune que guarda os registros de nascimento, casamento e óbito desde 1866. A certidão de nascimento do italiano, o estratto dell'atto di nascita, é pedida ao comune onde ele nasceu.
Na prática, peça a certidão antes da viagem, por escrito, e use a visita para o que só se faz no lugar:
- Escreva ao comune semanas antes. Diga o nome do italiano, a data aproximada de nascimento e, se tiver, o número do ato achado no Antenati.
- Pergunte se o escritório recebe visitante para pesquisa e em que dia e horário. Cada comune tem a sua regra.
- Leve cópias, nunca originais. Certidões brasileiras e a árvore da família ajudam o funcionário a achar o registro.
- Anote tudo o que encontrar: livro, ano, número do ato, nomes dos pais e dos padrinhos.
Quando o italiano nasceu antes de o comune ter registro civil, o comune declara que o documento não existe, e a prova passa a ser a certidão de batismo da paróquia.
Na paróquia e no arquivo diocesano
Antes de 1866, quem registrava nascimentos, casamentos e óbitos eram os párocos, de forma sistemática desde o Concílio de Trento, na segunda metade do século XVI. Pelo Portale Antenati, para esse período é preciso procurar a paróquia de nascimento e a de residência do italiano. Em algumas dioceses, os livros mais antigos foram reunidos no arquivo histórico diocesano.
Escreva à paróquia antes de ir e pergunte onde estão os livros, porque o arquivo nem sempre está no prédio da igreja. Antes do registro civil, o assento de batismo pode ser o único registro da pessoa, e é ele que liga a geração do imigrante às anteriores.
No Arquivo de Estado da província
O Arquivo de Estado da capital da província guarda a segunda via do registro civil e outras fontes úteis ao descendente. Segundo o Antenati, as listas de recrutamento militar, as fichas de matrícula com o nada consta para o passaporte e os pedidos de passaporte das Prefeituras e das Questuras podem trazer o destino da viagem. Treviso, Vicenza, Pádua, Mântua, Nápoles e Cosenza são capitais de província e têm o seu arquivo.
Quando a família não sabe de que comune o italiano veio, ou os documentos trazem só "Itália", a pesquisa genealógica cruza os arquivos do Brasil e da Itália para achar o registro antes da viagem.
O Italea e o turismo de raízes
O Italea é o programa de turismo de raízes do Ministério das Relações Exteriores da Itália, voltado a italianos que vivem fora e a descendentes. O cartão digital do programa reúne descontos de hotéis, restaurantes, guias e empresas, com as ofertas separadas por região, província e comune.
O cadastro não pede documento que prove a origem, então um brasileiro com bisavô italiano pode usar o cartão antes de ter a cidadania reconhecida. O guia sobre o Italea Card e o turismo de raízes explica o cadastro passo a passo e o que mudou no programa em 2026. O cartão não serve de prova num pedido de cidadania.
Quanto tempo o brasileiro pode ficar na Itália
O brasileiro sem cidadania europeia pode ficar até 90 dias em qualquer período de 180 dias no espaço Schengen, que inclui a Itália. A conta soma os dias em todos os países do espaço: a cada dia da viagem, você olha os 180 dias anteriores, e o total não pode passar de 90. A Comissão Europeia mantém uma calculadora oficial da estada curta.
Duas mudanças valem para essa viagem:
- EES. Desde 10 de abril de 2026, o Sistema de Entrada e Saída está em operação plena e substitui o carimbo no passaporte. Na primeira entrada, a fronteira registra nome, dados do passaporte, impressões digitais e foto do rosto, e o sistema conta os dias de cada estada, segundo a Comissão Europeia.
- ETIAS. A autorização de viagem prévia ainda não está em operação, e nenhum pedido é recebido. A taxa foi fixada em 20 euros, e a União Europeia diz que vai anunciar a data de início com meses de antecedência, segundo a página oficial do ETIAS. Desconfie de site que cobre por esse pedido antes disso.
Com a cidadania europeia reconhecida e o passaporte europeu em mãos, a conta dos 90 dias deixa de valer: o EES e o limite de estada curta são para quem não é cidadão da União Europeia. Enquanto o processo corre, você viaja como brasileiro.
Viajar não é condição do processo
Você não precisa ir à Itália para pedir a cidadania. Na via judicial, em geral, você é representado por advogado habilitado na Itália. A viagem é escolha sua, e serve para conhecer a família e os lugares dela.
Morar na Itália durante o processo é outra coisa. O pedido feito no comune com residência na Itália é um procedimento diferente, com regras próprias, e exige uma análise diferente da que descrevemos aqui. Uma estada de turista não é residência.
Como combinar com Roma, Florença e Veneza
As cidades da imigração ficam perto dos destinos clássicos. Treviso, Vicenza e Pádua estão na mesma região de Veneza. Mântua fica na planície do Pó, entre o Vêneto e a Emília. Nápoles é o ponto de partida natural para a Costa Amalfitana e para Pompeia, e Roma fica entre Nápoles e o Norte.
Uma forma de montar o roteiro é usar duas bases: uma no Norte, para o Vêneto, Mântua e Trento, e uma no Sul, para Nápoles e a Calábria. Separe pelo menos um dia inteiro para o comune da família, sem outro compromisso. A conta dos 90 dias vale para a viagem inteira.

O que a viagem não resolve
A visita ao comune não substitui a certidão no formato que o pedido exige, nem prova sozinha o direito à cidadania. O direito depende da linha entre você e o italiano que nasceu lá, provada por certidões. Desde a Lei 74/2025, quem nasceu fora da Itália e tem outra cidadania só é reconhecido pela via administrativa em situações específicas, como ter pai, mãe, avô ou avó com cidadania exclusivamente italiana. A lei preserva pedidos e certos agendamentos feitos até 27 de março de 2025. Fora disso, o pedido de quem é maior de idade corre na Justiça italiana, e em 2026 tribunais reconheceram bisnetos e trinetos cujas famílias tinham pedido ou tentado agendar até aquela data.
A página de cidadania italiana explica cada caminho. Se você vai à Itália e quer saber antes se a sua família tem fundamento para o pedido, a Você Europeu faz uma avaliação gratuita da sua linha familiar, e você chega ao comune sabendo o que procurar.
Perguntas frequentes
Quem tem direito
Meu bisavô veio do Trentino. Isso muda alguma coisa na cidadania?
Pode mudar. Quem saiu do Trentino antes de 16 de julho de 1920 saiu de território austro-húngaro, e a Lei 379/2000 tratou esses descendentes à parte, com declaração até 20 de dezembro de 2010. Hoje o caso de uma família trentina precisa de análise própria antes de qualquer pedido.
Documentos
Posso pedir a certidão de nascimento do meu bisavô direto no comune?
Sim. A certidão de nascimento do italiano, o estratto dell'atto di nascita, é pedida ao comune onde ele nasceu. Peça por escrito antes da viagem, com nome, data aproximada e, se tiver, o número do ato achado no Portale Antenati. Se ele nasceu antes do registro civil, a prova passa a ser a certidão de batismo da paróquia.
Como descobrir de qual comune italiano minha família veio?
Pelos documentos brasileiros do imigrante. A certidão em inteiro teor de casamento ou de óbito, os registros de chegada no porto e os documentos de parentes costumam trazer o comune ou a província. Quando trazem só Itália, a pesquisa genealógica cruza arquivos do Brasil e da Itália para achar o registro.
Como funciona o processo
Preciso viajar para a Itália durante o processo de cidadania?
Não. Na via judicial, em geral, você é representado por advogado habilitado na Itália e não precisa estar lá. A viagem serve para conhecer a cidade da família, visitar o comune e a paróquia e procurar registros. Procedimentos que dependem de residência na Itália são outro caminho e exigem uma análise diferente.
Nacionalidade por residência
Quanto tempo o brasileiro pode ficar na Itália como turista?
Até 90 dias em qualquer período de 180 dias, somando todos os países do espaço Schengen. A cada dia da viagem, conte os 180 dias anteriores: o total não pode passar de 90. A Comissão Europeia tem uma calculadora oficial da estada curta para conferir a conta.
O que é o EES e o que muda para o brasileiro?
O EES é o Sistema de Entrada e Saída da União Europeia, em operação plena desde 10 de abril de 2026. Ele substitui o carimbo no passaporte e registra nome, dados do documento, impressões digitais e foto do rosto de quem não é cidadão da UE. O sistema conta os dias de cada estada curta.
Brasileiro precisa de ETIAS para ir à Itália?
Ainda não. O ETIAS não está em operação e não recebe pedidos. Quando começar, a taxa será de 20 euros, e a União Europeia diz que vai anunciar a data com meses de antecedência. Desconfie de site que cobre por esse pedido antes disso.
Depois do reconhecimento
Com a cidadania italiana reconhecida, ainda conto os 90 dias?
Não. O limite de 90 dias em 180 e o registro do EES valem para quem não é cidadão da União Europeia. Com a cidadania reconhecida e o passaporte europeu, você entra e fica como cidadão. Enquanto o processo corre, você viaja como brasileiro e segue a regra dos 90 dias.
O Italea Card ajuda no processo de cidadania?
Não. O Italea Card é o cartão de descontos do programa de turismo de raízes do governo italiano e não serve de prova num pedido. Ele ajuda a viagem, com ofertas separadas por região, província e comune, e o cadastro não pede documento de origem.