Viver na Europa
Trabalhar na Itália: como fazer sendo brasileiro, com ou sem cidadania
Quem tem cidadania italiana ou europeia trabalha na Itália sem visto. O brasileiro sem essa cidadania precisa de um empregador que peça o nulla osta e de visto de trabalho, em geral dentro das cotas do decreto flussi, que somam 164.850 entradas em 2026. A Itália não tem salário mínimo legal: os pisos vêm dos contratos coletivos.
Escrito e revisado por
Tammy CavaleiroAtualizado em 13 min de leitura

Neste artigo11 seções
O essencial
- Com cidadania italiana ou de outro país da União Europeia, você trabalha na Itália sem visto nem autorização de trabalho.
- Sem cidadania, o empregador pede o nulla osta ao SUI e você pede o visto no consulado; o decreto flussi prevê 164.850 entradas em 2026.
- Blue Card, casos do art. 27 e, desde novembro de 2025, descendentes de italianos do Brasil entram fora das cotas, ainda com nulla osta e visto.
- A Itália não tem salário mínimo legal: os pisos vêm dos CCNL, e o salário bruto médio é de 37.302 euros por ano, segundo o ISTAT.
Quem tem cidadania italiana, ou de outro país da União Europeia, pode trabalhar na Itália sem visto e sem autorização de trabalho. O brasileiro sem essa cidadania precisa de um empregador na Itália, que pede a autorização prévia, o nulla osta, e depois do visto de trabalho no consulado. Na maior parte dos casos, essa entrada depende das cotas do decreto flussi.
Esta página explica os dois caminhos, as exceções fora das cotas, os documentos que você vai precisar ao chegar, como funciona o salário e onde estão as vagas, com a fonte oficial de cada dado.
Quem precisa de visto para trabalhar na Itália
A resposta depende da cidadania que você tem. A tabela resume cada situação.
| Sua situação | Precisa de visto de trabalho? | O que vale |
|---|---|---|
| Cidadão italiano, nascido no Brasil ou na Itália | Não | Trabalha como qualquer italiano. Para morar, declara a residência no comune |
| Cidadão de outro país da União Europeia | Não | Livre circulação de trabalhadores. Depois de 3 meses, inscreve-se no registro de residentes |
| Brasileiro sem cidadania europeia, com oferta de emprego | Sim | Nulla osta pedido pelo empregador e visto no consulado. Em geral, dentro das cotas do decreto flussi |
| Brasileiro profissional altamente qualificado | Sim | Blue Card UE, fora das cotas, com diploma e salário mínimos exigidos |
| Brasileiro descendente de italiano, sem cidadania reconhecida | Sim | Visto de trabalho subordinado fora das cotas, aberto ao Brasil desde novembro de 2025 |
| Turista | Não pode trabalhar | A entrada de turista não autoriza trabalho |
Trabalhar na Itália com cidadania italiana ou europeia
Com cidadania italiana, você não pede visto, nulla osta nem permesso di soggiorno. Você tem acesso ao mercado de trabalho nas mesmas condições de quem nasceu na Itália, com o mesmo contrato, os mesmos pisos e a mesma previdência.
O brasileiro com cidadania italiana
A cidadania italiana reconhecida dá o direito de trabalhar na Itália desde o primeiro dia. O que muda é a burocracia de quem passa a morar lá: o codice fiscale, a residência no comune e, em profissão regulamentada, o reconhecimento do diploma. As seções abaixo tratam de cada um.
A mesma cidadania vale para trabalhar em qualquer país da União Europeia. A livre circulação de trabalhadores está no art. 45 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, e o artigo sobre livre circulação na União Europeia explica o que ela permite e quais registros cada país pede.
O cidadão de outro país europeu
Quem tem cidadania espanhola, portuguesa ou de outro país da União também trabalha na Itália sem autorização. Pelo art. 9 do Decreto Legislativo 30/2007, quem fica mais de 3 meses se inscreve no registro de residentes do comune e, se trabalha, apresenta a prova do trabalho, subordinado ou autônomo.
Visto de trabalho na Itália para brasileiro sem cidadania
Sem cidadania europeia, quem abre o pedido de visto de trabalho na Itália é o empregador. A empresa pede o nulla osta ao Sportello Unico per l'Immigrazione (SUI) da província, e só depois do nulla osta você pede o visto no consulado italiano da sua região. A Embaixada da Itália em Brasília descreve essa ordem na ficha do visto de trabalho subordinado.
Não há visto de trabalho para procurar emprego. Sem um empregador que peça o nulla osta, o pedido não começa.
O que é o decreto flussi
O decreto flussi é o decreto do governo italiano que fixa quantos trabalhadores de fora da União Europeia podem entrar na Itália por ano para trabalhar. O atual é o DPCM de 2 de outubro de 2025, publicado na Gazzetta Ufficiale de 15 de outubro de 2025, que programa os anos de 2026, 2027 e 2028, segundo o Ministério do Trabalho italiano.
O decreto divide as vagas em trabalho subordinado não sazonal, trabalho sazonal e trabalho autônomo. O trabalho sazonal se concentra na agricultura e no turismo. A circular da Prefeitura de Cosenza sobre o DPCM mostra que a assistência familiar e os motoristas de transporte e logística têm regras próprias dentro das cotas.
As cotas de 2026 a 2028
São 497.550 entradas nos três anos, segundo o Ministério do Trabalho italiano. A divisão por tipo de trabalho está na circular do DPCM.
| Ano | Trabalho subordinado não sazonal | Trabalho autônomo | Trabalho sazonal | Total |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | 76.200 | 650 | 88.000 | 164.850 |
| 2027 | 76.200 | 650 | 89.000 | 165.850 |
| 2028 | 76.200 | 650 | 90.000 | 166.850 |
Para as cotas de 2026, o empregador enviou os pedidos pelo Portal ALI do Ministério do Interior a partir das 9h de 12 de janeiro, para o sazonal agrícola, de 9 de fevereiro, para o sazonal do turismo, e de 16 e 18 de fevereiro, para o não sazonal. Os pedidos são feitos em dias marcados, e a cota de cada ano tem limite. As datas de 2027 saem em ato próprio.
Passo a passo do visto de trabalho subordinado
- O empregador confere no Centro per l'Impiego se há trabalhador já na Itália para a vaga. A circular do DPCM exige essa verificação no trabalho não sazonal.
- O empregador pede o nulla osta ao SUI, com o contrato ou a proposta de contrato, a função, a jornada e o salário.
- O SUI emite o nulla osta e o transmite ao consulado. Pela ficha da Embaixada em Brasília, ele vale por 6 meses.
- Você agenda e pede o visto no consulado italiano da sua região, com passaporte, formulário, foto, seguro de saúde, comprovante de hospedagem na Itália e a taxa. Em Brasília, a taxa era de 116 euros na ficha de 2024.
- Na Itália, você assina o contrato de residência no SUI e pede o permesso di soggiorno no prazo da lei.
Profissional de saúde tem uma etapa a mais: o título precisa ser reconhecido antes pelo Ministério da Saúde italiano, como diz a mesma ficha da Embaixada.

As exceções fora das cotas
Algumas entradas para trabalho não dependem das cotas do decreto flussi. O art. 27 do Testo Unico Immigrazione, o Decreto Legislativo 286/1998, lista os casos, e a Blue Card tem artigo próprio. Mesmo fora das cotas, o pedido continua passando pelo nulla osta e pelo visto.
Blue Card UE
A Blue Card é a autorização europeia para trabalho altamente qualificado, e na Itália ela está no art. 27-quater do Testo Unico. Ela pede contrato ou oferta de emprego e diploma de curso superior de pelo menos 3 anos, ou experiência profissional comparável. A ficha de 2026 da Embaixada da Itália em Tashkent fala em 5 anos de experiência no caso geral e 3 anos para dirigentes e especialistas de tecnologia da informação.
O salário da Blue Card tem um piso anual, atualizado de tempos em tempos, e não pode ficar abaixo do contrato coletivo da categoria. Confira o valor do ano no consulado antes de negociar a proposta.
Os casos particulares do art. 27
O comma 1 do art. 27 cobre, entre outros, dirigentes e pessoal altamente especializado de empresas com sede na Itália, professores universitários, tradutores e intérpretes, atletas profissionais, artistas, jornalistas correspondentes, nômades digitais e trabalhadores remotos, e enfermeiros contratados por estruturas de saúde. Cada caso tem os documentos que a lei pede para ele.
Descendente de italiano do Brasil
Desde novembro de 2025, o brasileiro descendente de italiano que mora fora da Itália pode entrar para trabalho subordinado fora das cotas. A regra é o comma 1-octies do art. 27, criado pela Lei 74/2025, e o decreto interministerial de 17 de novembro de 2025 incluiu o Brasil na lista, com Argentina, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Venezuela e Uruguai, segundo o Ministério do Trabalho italiano.
A porta continua sendo a do visto de trabalho: você precisa de um empregador, do nulla osta e do visto, e de documentos que provem a descendência. A diferença é que a vaga não disputa a cota do ano.
Esse visto também abre a contagem para a naturalização. Desde a Lei 74/2025, o estrangeiro cujo pai, mãe, avô ou avó é ou foi italiano por nascimento pode pedir a naturalização com 2 anos de residência legal na Itália, cumpridos os demais requisitos. O artigo sobre a lei italiana de naturalização detalha prazos, idioma e renda.
Codice fiscale: o primeiro número que você vai precisar
O codice fiscale é o código da Agenzia delle Entrate que identifica cada pessoa, italiana ou estrangeira, perante o Estado e as empresas italianas. Sem ele você não assina contrato de trabalho, de aluguel nem abre conta, segundo o Ministério das Relações Exteriores italiano.
Como pedir depende da sua situação:
- Italiano inscrito no AIRE: pede pelo portal Fast It, na área do AIRE, para si e para os filhos menores, ou no consulado.
- Estrangeiro que mora fora da Itália: pede no consulado italiano competente, com formulário, documento de identidade e o motivo, ou por procuração na Agenzia delle Entrate.
- Estrangeiro que entra com visto de trabalho: recebe o código do SUI, junto com o processo de trabalho.
Se você já tem o código, baixa o certificado no Fast It sem passar pelo consulado.
Residência anagráfica: morar oficialmente na Itália
A residência anagráfica é a inscrição no registro de residentes do comune onde você mora. É ela que liga você aos serviços locais, e o acesso a cada serviço público depende desse cadastro e das regras próprias do serviço.
Para o italiano que mora no Brasil, a mudança tem um passo. Quem está inscrito no AIRE se apresenta ao comune onde vai morar e declara o novo endereço. Na mesma data, o comune o cancela do AIRE e o inscreve na população residente, como explica a página do AIRE no portal do Ministério das Relações Exteriores. A omissão ou o atraso dessa declaração está sujeito a multa.
Para o estrangeiro de fora da União Europeia, a residência vem depois do permesso di soggiorno. Para o cidadão de outro país europeu, vale o prazo de 3 meses do Decreto Legislativo 30/2007.

Reconhecimento de diploma e de profissão
Para a maior parte das vagas, o diploma brasileiro não precisa de reconhecimento: o empregador avalia a formação. O reconhecimento é obrigatório em profissão regulamentada, aquela que só se exerce com inscrição em ordem ou registro, como medicina, enfermagem, advocacia e engenharia.
Quem reconhece depende da profissão:
- Saúde: Ministério da Saúde italiano, para médicos, enfermeiros e as demais profissões sanitárias.
- Profissões sob o Ministério da Justiça: a lista do Ministério da Justiça italiano inclui advogado, engenheiro, geólogo, contador, assistente social, jornalista e agrônomo.
- Outras atividades profissionais: o ministério que supervisiona cada uma, como o Ministério das Empresas, para atividades que ele regula.
O Ministério da Justiça aceita pedido de quem tem título obtido fora da União Europeia, pelo DPR 394/1999. Quando a formação tem lacunas em matérias essenciais, o decreto de reconhecimento pode exigir uma prova ou um estágio de adaptação. Para advogado e contador, o estágio não é opção, e vale a prova.
O reconhecimento acadêmico, para seguir estudando ou disputar vaga que pede diploma equivalente, é outro procedimento, com as universidades e o Ministério da Universidade. Antes de pedir qualquer um dos dois, confirme qual é o seu caso: o pedido errado consome meses e taxas de tradução e apostila.
Salário na Itália
O salário na Itália segue o contrato coletivo da categoria, porque a lei não fixa um valor mínimo. Esta seção traz o que existe de piso e quanto se ganha em média, pelo dado oficial mais recente.
A Itália não tem salário mínimo legal
A Itália é um dos 5 países da União Europeia sem salário mínimo nacional, com Dinamarca, Áustria, Finlândia e Suécia, segundo o Eurostat. Os pisos vêm dos contratos coletivos nacionais de trabalho, os CCNL, negociados por setor entre sindicatos e associações de empresas. Cada CCNL tem níveis, e o piso muda conforme a função.
A Lei 144/2025, em vigor desde 18 de outubro de 2025, manteve esse modelo. Ela autorizou o governo a fazer do tratamento econômico dos contratos coletivos mais aplicados o mínimo de cada categoria, inclusive para quem trabalha sem contrato coletivo, e não fixou nenhum valor em euros.
Na prática, ao receber uma proposta, pergunte qual CCNL e qual nível se aplicam. O valor da proposta não pode ficar abaixo do piso desse nível.
Quanto se ganha em média
O salário bruto anual médio na Itália é de 37.302 euros por empregado em tempo integral, segundo a pesquisa La struttura delle retribuzioni in Italia, do ISTAT, com dados de 2022 e publicada em janeiro de 2025. A pesquisa cobre empresas e órgãos públicos com pelo menos 10 empregados.
| Recorte | Salário médio | Unidade |
|---|---|---|
| Todos os empregados | 37.302 euros | bruto por ano |
| Mulheres | 33.807 euros | bruto por ano |
| Homens | 39.982 euros | bruto por ano |
| Indústria, sem construção | 38.760 euros | bruto por ano |
| Construção | 32.202 euros | bruto por ano |
| Média por hora | 16,4 euros | bruto por hora |
| Menores de 30 anos | 11,9 euros | bruto por hora |
| Centro da Itália | 17 euros | bruto por hora |
| Sul da Itália | 15,7 euros | bruto por hora |
Os valores são brutos, antes de impostos e contribuições, e as empresas com menos de 10 empregados ficam de fora da média. Quem começa ganha menos que a média: o ISTAT mostra a hora de quem tem menos de 30 anos 36,4% abaixo da de quem tem mais de 50.
O custo de vida também muda de uma cidade para outra. Se você ainda está escolhendo onde morar, o artigo com cidades da Itália para conhecer durante o processo de cidadania ajuda a comparar.
Setores com mais vagas na Itália
Os serviços concentram a maior parte das contratações previstas na Itália, e o turismo lidera. Pelo sistema Excelsior, da Unioncamere com o Ministério do Trabalho italiano, as empresas previam cerca de 539 mil contratações em outubro de 2026 e 1,35 milhão de outubro a dezembro, segundo o comunicado de 19 de outubro de 2026.
| Setor | Parte das contratações previstas em outubro de 2026 |
|---|---|
| Serviços | 65,3% |
| Indústria, com construção | 26,1% |
| Agricultura, pesca e setor primário | 8,6% |
Hospedagem, restaurantes e serviços turísticos somavam cerca de 94.500 contratações previstas, a maior fatia. O comunicado também aponta alta na agricultura, nos serviços de apoio a empresas e pessoas, na indústria alimentar e nas indústrias mecânica e eletrônica.
As empresas diziam ter dificuldade para preencher 43,6% das vagas previstas. Esse número mostra demanda, mas não abre porta para quem não tem cidadania: sem ela, a contratação continua dependendo do nulla osta e, na maior parte dos casos, da cota do ano.

Como procurar emprego na Itália
A busca de emprego na Itália passa por canais públicos e privados, e alguns são úteis para quem ainda está no Brasil.
- EURES: o portal europeu de empregos reúne vagas dos serviços públicos de emprego da Itália e dos outros países da União. Ele serve sobretudo a quem tem cidadania europeia.
- Centri per l'Impiego: os centros públicos de emprego de cada região inscrevem quem procura trabalho e cruzam perfis com vagas. Para usar, em geral, você precisa estar na Itália.
- inPA: o portal de recrutamento do setor público italiano publica os concursos. Parte das vagas públicas aceita cidadãos da União Europeia, e algumas exigem cidadania italiana; o edital diz qual.
- Currículo Europass: o modelo europeu de currículo é conhecido pelos recrutadores italianos e tem versão em italiano.
A lei não exige prova de italiano para trabalhar. Quem define o idioma é o empregador, no anúncio da vaga. Para vaga com atendimento ao público, conte com o pedido do italiano.
A cidadania italiana por descendência como caminho para trabalhar
Se a sua família tem um italiano na linha, a cidadania por descendência resolve a parte do visto de uma vez, porque o cidadão trabalha sem cota, sem nulla osta e sem renovar permesso. O reconhecimento por descendência não exige prova de italiano nem residência na Itália.
As regras mudaram em 2025. Desde a Lei 74/2025, quem nasceu fora da Itália e tem outra cidadania só é reconhecido pela via administrativa em situações específicas, como pai, mãe, avô ou avó com cidadania exclusivamente italiana. A lei preserva pedidos apresentados e certos agendamentos feitos até 27 de março de 2025, às 23h59 de Roma. Fora disso, o pedido de quem é maior de idade corre hoje na Justiça italiana, com a representação de advogado habilitado na Itália. Em 2026, tribunais italianos reconheceram bisnetos e trinetos cujas famílias tinham pedido ou tentado agendar até aquela data.
Cada caso depende das datas, da nacionalidade de cada geração e dos documentos. A página de cidadania italiana explica cada caminho e o que fortalece o pedido. Se você quer saber se a sua família tem esse direito, a Você Europeu faz uma avaliação gratuita da sua linha familiar antes de você gastar com certidão.
Perguntas frequentes
Documentos
Preciso validar meu diploma para trabalhar na Itália?
Só em profissão regulamentada, como medicina, enfermagem, advocacia e engenharia. Nesses casos, o reconhecimento é do ministério que supervisiona a profissão, como o da Saúde ou o da Justiça, e pode exigir prova ou estágio de adaptação. Nas demais vagas, quem avalia a formação é o empregador.
O que é o codice fiscale e como tirar?
É o código da Agenzia delle Entrate que identifica você perante o Estado e as empresas italianas, e sem ele não se assina contrato de trabalho nem de aluguel. O italiano inscrito no AIRE pede pelo portal Fast It. O estrangeiro que mora fora pede no consulado italiano, e quem entra com visto de trabalho recebe do SUI.
Nacionalidade por residência
Como trabalhar na Itália sendo brasileiro?
Sem cidadania europeia, você precisa de um empregador na Itália que peça o nulla osta ao Sportello Unico per l'Immigrazione e, depois dele, do visto de trabalho no consulado italiano da sua região. Na maior parte dos casos, a vaga entra nas cotas do decreto flussi. Com cidadania italiana ou de outro país da União Europeia, você trabalha sem visto.
O que é o decreto flussi?
É o decreto do governo italiano que fixa quantos trabalhadores de fora da União Europeia podem entrar por ano para trabalhar. O atual é o DPCM de 2 de outubro de 2025, que prevê 497.550 entradas de 2026 a 2028: 164.850 em 2026, 165.850 em 2027 e 166.850 em 2028. Quem faz o pedido é o empregador, em datas marcadas.
Descendente de italiano tem visto especial para trabalhar na Itália?
Sim, fora das cotas. Desde novembro de 2025, o brasileiro descendente de italiano que mora fora da Itália pode entrar para trabalho subordinado sem disputar a cota do decreto flussi, pelo art. 27, comma 1-octies, do Testo Unico Immigrazione. Ele ainda precisa de empregador, nulla osta, visto e documentos que provem a descendência.
Qual é o salário mínimo na Itália?
A Itália não tem salário mínimo fixado em lei. Os pisos vêm dos contratos coletivos nacionais de trabalho, os CCNL, que mudam conforme o setor e o nível da função. A Lei 144/2025 autorizou o governo a fazer do piso dos contratos mais aplicados o mínimo de cada categoria, sem fixar um valor em euros.
Qual é o salário médio na Itália?
O salário bruto anual médio é de 37.302 euros por empregado em tempo integral, segundo o ISTAT, com dados de 2022 de empresas com pelo menos 10 empregados. A média por hora é de 16,4 euros brutos. Mulheres ganham em média 33.807 euros por ano, e homens, 39.982.
Posso ir para a Itália como turista e trabalhar lá?
Não. A entrada de turista não autoriza trabalho. Sem cidadania europeia, o empregador pede o nulla osta na Itália e você pede o visto de trabalho no consulado italiano da região onde mora, como descreve a Embaixada da Itália em Brasília.
Depois do reconhecimento
Quem tem cidadania italiana precisa de visto para trabalhar na Itália?
Não. O cidadão italiano, nascido no Brasil ou na Itália, trabalha na Itália nas mesmas condições de quem nasceu lá, sem visto, nulla osta nem permesso di soggiorno. Para morar, ele declara a residência no comune, que o tira do AIRE na mesma data. A mesma cidadania permite trabalhar em qualquer país da União Europeia.