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Sobrenomes

Sobrenomes espanhóis: lista com origem, região e o peso na cidadania

García é o sobrenome mais comum da Espanha, com 1,4 milhão de pessoas, seguido de Rodríguez, González, Fernández e López, segundo o INE. A maioria é patronímico: o -ez quer dizer "filho de". O sobrenome ajuda a achar a família, mas não dá direito à cidadania espanhola: pela descendência, ela é do filho de espanhol.

Escrito e revisado por Tammy CavaleiroAtualizado em 14 min de leitura

Bandeira da Espanha em close, com o brasão nacional sobre as faixas vermelha e amarela
Neste artigo10 seções

O essencial

  • García é o sobrenome mais comum da Espanha: 1.446.937 pessoas o têm em primeiro lugar, segundo o INE, com dados de 1º de janeiro de 2025.
  • A terminação -ez quer dizer "filho de": Fernández é o filho de Fernando, e em português o mesmo sufixo virou -es.
  • Pereira, Silva, Costa e Oliveira estão entre os sobrenomes mais comuns da Galícia, e só o documento diz se a família veio de Portugal ou da Espanha.
  • Nenhum sobrenome dá direito à cidadania espanhola: pela descendência, o pedido no consulado é do filho de espanhol, e o neto só pede depois de 1 ano de residência legal na Espanha.

García é o sobrenome mais comum da Espanha: 1.446.937 pessoas o têm como primeiro sobrenome, segundo a estatística de sobrenomes do INE, o instituto oficial de estatística do país, com dados de 1º de janeiro de 2025. Depois vêm Rodríguez, González, Fernández e López. Nesta página você encontra os 50 sobrenomes espanhóis mais comuns com a origem de cada um, o que quer dizer a terminação em -ez, os sobrenomes típicos da Galícia, do País Basco, da Catalunha e da Andaluzia, como funcionam os dois sobrenomes e por que tantos parecem portugueses.

O sobrenome conta de onde a família pode ter vindo. Ele não dá direito à cidadania espanhola, e a última seção explica o que dá.

Os 50 sobrenomes espanhóis mais comuns

A lista abaixo é a do INE, contada no cadastro de moradores dos municípios espanhóis em 1º de janeiro de 2025, quando a Espanha tinha 49.128.297 residentes. O número é de pessoas com aquele sobrenome em primeiro lugar. Ele inclui os estrangeiros que moram no país, o que pesa nos sobrenomes comuns também em Portugal e na América Latina. O INE grava os sobrenomes sem acento, e a tabela devolve a grafia espanhola.

A origem dos patronímicos segue o estudo da linguista Ana Boullón, do Instituto da Lingua Galega, e o artigo de Ignacio María Echaide na revista da Academia da Língua Basca, citados nas seções seguintes. Nos demais, a tabela dá o sentido da palavra em espanhol e avisa quando a origem é discutida.

PosiçãoSobrenomePessoas com ele como primeiro sobrenomeOrigem e significado
1García1.446.937Do nome de batismo medieval García, de origem discutida. Conta como patronímico, mesmo sem o sufixo
2Rodríguez939.214"Filho de Rodrigo"
3González930.137"Filho de Gonzalo"
4Fernández896.725"Filho de Fernando"
5López871.380"Filho de Lope", nome medieval que vem do latim lupus, lobo
6Martínez832.396"Filho de Martín"
7Sánchez818.287"Filho de Sancho"
8Pérez779.313"Filho de Pero", forma medieval de Pedro
9Gómez496.272De um nome medieval que os documentos só registram já com o sufixo
10Martín475.139Do nome de batismo Martín, sem sufixo
11Jiménez399.394"Filho de Jimeno", nome medieval
12Hernández380.919"Filho de Hernando", outra forma de Fernando
13Ruiz366.644"Filho de Rui", forma curta de Rodrigo
14Díaz350.246"Filho de Diego", do latim Didacus
15Moreno324.435De pele ou cabelo escuros
16Muñoz284.951"Filho de Muño", o Munio dos documentos medievais
17Álvarez281.150"Filho de Álvaro"
18Romero227.391Romeiro, peregrino a Roma ou a Santiago. A palavra também nomeia o alecrim
19Gutiérrez199.928"Filho de Gutierre"
20Alonso189.942Do nome de batismo Alonso, forma castelhana de Afonso
21Torres180.723Família que morava junto a torres ou num lugar com esse nome
22Navarro176.842Vindo de Navarra
23Domínguez156.940"Filho de Domingo"
24Ramírez156.686"Filho de Ramiro"
25Ramos149.677Origem discutida: ramos de árvore ou o Domingo de Ramos
26Vázquez144.451"Filho de Vasco". Muito comum na Galícia
27Gil139.109Do nome de batismo Gil, que chegou da França na Idade Média
28Serrano129.941Vindo da serra, da montanha
29Morales127.848De "moral", amoreira: lugar com amoreiras
30Molina125.316De moinho, ou de um dos lugares chamados Molina
31Suárez124.242"Filho de Suero", do latim Suarius
32Castro123.156Castro, povoado fortificado antigo. Muito comum na Galícia
33Blanco121.880Branco: pele ou cabelo claros
34Delgado119.872Magro, de corpo fino
35Ortega118.777Origem discutida, provavelmente um nome de lugar
36Ortiz114.447"Filho de Ortún", forma de Fortún
37Marín108.047Do nome latino Marinus, ligado ao mar
38Rubio102.390Loiro, em espanhol
39Medina95.823Do árabe madina, cidade. É o nome de várias cidades espanholas
40Núñez94.702"Filho de Nuño", o Nuno português
41Castillo94.139Castelo: quem morava nele, servia nele ou vinha de um lugar com esse nome
42Cortés89.974Cortês, ligado à corte
43Sanz88.939"Filho de Sancho", em forma curta
44Iglesias86.084Igrejas. Na Galícia, virou sobrenome entre os séculos XVI e XVIII
45Santos85.287Nome religioso, que também era dado a crianças abandonadas
46Garrido84.187De boa aparência, elegante
47Guerrero82.949Guerreiro, soldado
48Lozano80.558Viçoso, vigoroso
49Flores79.715Origem discutida: de flores ou de um nome medieval
50Cruz78.630Nome religioso, de devoção à cruz

Qual é o sobrenome mais comum da Espanha

García é o mais comum da Espanha, com folga. São 1.446.937 pessoas com García em primeiro lugar e 1.468.824 em segundo, e 74.765 têm García duas vezes. Somadas as três contas, 5,8% dos moradores do país carregam o sobrenome. Rodríguez, o segundo, tem 939.214 pessoas em primeiro lugar.

García também lidera em regiões com língua e história próprias. Na Andaluzia, García acompanha 6,12% da população, segundo a estatística de nomes e sobrenomes do instituto andaluz de estatística, com dados de 1º de janeiro de 2026. Na Catalunha, o Idescat conta 167.975 pessoas com García em primeiro lugar em 2025. Na Galícia a ordem muda: no censo de 2002, Rodríguez vinha em primeiro, seguido de Fernández e González, segundo o estudo de Ana Boullón citado abaixo.

O que a terminação -ez quer dizer

A terminação -ez indica um patronímico: o sobrenome nasceu do nome do pai e queria dizer "filho de". No exemplo de Ana Boullón, Pai Estévez era o filho de Estevo Méndez. Na Idade Média esse segundo nome mudava a cada geração. Ele só se fixou e passou de pai para filho sem mudar quando as paróquias começaram a registrar batismos, a partir do Concílio de Trento, no século XVI.

A explicação está no estudo de Ana Boullón sobre os sobrenomes da Galícia, publicado na revista Verba em 2007. Ela registra que o sistema de patronímicos valeu em toda a Península Ibérica, menos no País Basco e nas terras de língua catalã. Os dez sobrenomes mais comuns da Espanha são todos patronímicos, contados García e Martín, que vêm direto de um nome de batismo e não levam sufixo.

O sufixo tem quatro formas principais:

TerminaçãoExemplosDe que nome vêm
-ezFernández, González, Martínez, PérezFernando, Gonzalo, Martín, Pero
-azDíazDiego, do latim Didacus
-ozMuñozMuño
-izRuiz, OrtizRui, Ortún

Em português o mesmo sufixo virou -es: Fernandes, Gonçalves, Lopes, Peres. A origem da terminação é discutida. Em artigo publicado pela Academia da Língua Basca, Ignacio María Echaide descarta a origem basca, porque o basco forma patronímicos de outro jeito, e defende uma origem germânica, ligada aos povos que ocuparam a península depois de Roma. A tese não é consenso entre os linguistas.

Os tipos de sobrenome espanhol

Quase todo sobrenome espanhol se encaixa em um de quatro grupos. O tipo diz o que o nome contava sobre o primeiro da família.

TipoComo nasceuExemplos
Do nome do pai (patronímico)Identificava a pessoa pelo paiRodríguez, Sánchez, Díaz, Alonso, Gil
Do lugar (toponímico)Dizia de onde a família veio ou onde moravaNavarro, Medina, Castro, Torres, Molina
De característica ou ofícioVinha de um traço físico, do jeito da pessoa ou da profissãoMoreno, Blanco, Delgado, Rubio, Guerrero
Religioso ou de criança abandonadaEra dado por devoção ou pelas casas que acolhiam enjeitadosCruz, Iglesias, Santos, Expósito

Expósito quer dizer "exposto", deixado na porta de igreja ou de casa de acolhida, e é o 143º sobrenome mais comum da Espanha, com 33.904 pessoas pelo INE. Boullón inclui no mesmo grupo Santos e Rey, este dado aos "filhos do rei".

A proporção entre os grupos foi medida na Galícia. Nos 200 sobrenomes mais comuns da região no censo de 2002, os patronímicos somavam 57% das ocorrências, os de lugar 30% e os de característica ou ofício 13%. Os patronímicos são poucos nomes repetidos por muita gente, e os de lugar são muitos nomes, cada um com menos portadores.

Sobrenomes espanhóis por região

Cada região da Espanha tem sobrenomes próprios, porque cada uma tem a sua língua e a sua história. As tabelas abaixo trazem os típicos de quatro delas, com o número de pessoas que os têm em primeiro lugar no país todo, pelo INE.

Galícia

Na Galícia os sobrenomes de lugar descrevem o terreno da aldeia: o morro, o pinheiral, a fonte, o rio. Muitos têm forma galega, parecida com a portuguesa, e outros foram passados para o castelhano nos registros dos séculos XVI a XVIII: Outeiro virou Otero, e Monteiro virou Montero. Os exemplos e os significados são do estudo de Ana Boullón.

SobrenomeSignificadoPessoas na Espanha
Vázquez"Filho de Vasco"144.451
OteroOuteiro, pequeno morro38.301
ReyRei. Dado a enjeitados, "filhos do rei"38.603
VarelaOrigem discutida35.306
PazDe Paio, nome medieval21.928
CarballoCarvalho, a árvore15.963
PiñeiroPinheiro15.456
LagoLago14.227
BarreiroBarreiro, terreno de barro13.616
FerreiroFerreiro11.835
FreireFrade11.545
PazosPaços, casas senhoriais10.709
SoutoSouto, bosque de castanheiros9.874
FeijooFeijão, do latim phaseolus5.732

País Basco

No País Basco o sobrenome quase sempre nomeia uma casa ou um lugar. Echaide registra que o patronímico basco se formava com outro sufixo, -ena: de García, Garziarena. E lembra que, na Espanha medieval, o sobrenome fixo vinha muitas vezes da casa solar: o filho de Lope, senhor de um lugar chamado Uribe, era López de Uribe. A grafia castelhana dos registros antigos, como Echeverría e Aguirre, ainda é a mais comum, e a Lei 20/2011, no artigo 53, permite passar o sobrenome por declaração para a grafia da língua oficial da região, como Etxeberria e Agirre.

SobrenomeElementos e sentido provávelPessoas na Espanha
Echeverría ou Etxeberriaetxe, casa, e berri, nova: "casa nova"8.183 e 3.181
Goicoechea ou Goikoetxeagoiko, de cima, e etxe, casa: "a casa de cima"3.107 e 2.336
Aguirre ou AgirreLugar aberto ou elevado23.200 e 2.251
Zabalazabal, largo: lugar amplo9.140
Urrutiaurruti, longe: a casa afastada5.421
Arrietaharri, pedra: pedregal5.554
Zubizarretazubi, ponte, e zahar, velha: lugar da ponte velha2.077
Iturbeiturri, fonte: abaixo da fonte2.199
Iturriagaiturri, fonte: lugar de fontes935

A leitura dos elementos usa o vocabulário básico do basco. Como cada sobrenome nasceu de uma casa concreta, o sentido exato depende do lugar, e a tabela marca a leitura como provável.

Catalunha

Na Catalunha o patronímico não leva sufixo: o sobrenome é o próprio nome do pai, como Martí, Vidal ou Pons. Os de lugar e de ofício vêm do catalão. No ranking do Idescat de 2025, os oito primeiros da Catalunha são os mesmos do resto do país, e o primeiro de forma catalã é Vila, em 30º. Os significados abaixo são do dicionário do Institut d'Estudis Catalans.

SobrenomeSignificadoPessoas na Espanha
FerrerFerreiro, quem trabalha o ferro53.051
SolerO chão, a parte baixa de uma casa44.069
MartíDo nome de batismo Martí, Martinho35.145
VilaVila, povoado34.056
RocaRocha27.496
SerraSerra, cadeia de montanhas26.669
PonsDo nome latino Pontius25.125
MasCasa de campo com as suas terras21.915
PuigElevação do terreno, morro20.056
RoigVermelho, ruivo17.143
RieraLeito por onde corre a água das chuvas16.662
FontFonte15.224
BoschBosque14.771
CollPassagem entre montanhas13.434
PujolMorro pequeno12.633
RoviraCarvalhal, no catalão antigo12.412

Andaluzia

A Andaluzia não tem uma forma de sobrenome própria, e isso tem explicação histórica. As terras do sul foram repovoadas por gente do norte durante a Reconquista, e Boullón aponta essa migração como a causa de o patronímico ter se espalhado pela península inteira. Na Andaluzia de hoje, García acompanha 6,12% da população, e depois vêm Rodríguez, López, Sánchez e Fernández, com 4,55% a 4,04%, segundo o instituto andaluz de estatística.

Na prática, um sobrenome sozinho não aponta a Andaluzia. Quem tem família andaluza descobre o lugar pelo documento: a certidão espanhola traz a cidade e a província de nascimento.

Bandeira da Espanha tremulando diante da fachada de pedra de um edifício histórico

Os dois sobrenomes: o paterno e o materno

O espanhol tem dois sobrenomes: o primeiro do pai e o primeiro da mãe. O Código Civil espanhol, no artigo 109, diz que a filiação determina os sobrenomes. Veja como eles passam de uma geração para a outra, num exemplo:

PessoaNome completoDe onde vem cada sobrenome
PaiJosé Rodríguez PérezRodríguez do pai dele, Pérez da mãe dele
MãeCarmen Feijoo OteroFeijoo do pai dela, Otero da mãe dela
FilhoManuel Rodríguez FeijooRodríguez do pai, Feijoo da mãe

O segundo sobrenome de cada um dos pais se perde no filho. Por isso a certidão espanhola do bisavô mostra o sobrenome da mãe dele, que é a pista para subir mais uma geração.

A ordem pode mudar. Pela Lei 20/2011 do Registro Civil, artigo 49, em vigor nesse ponto desde 30 de junho de 2017, os pais escolhem de comum acordo qual sobrenome vem primeiro. Se não chegam a acordo, o encarregado do Registro decide pelo interesse do filho. A ordem do primeiro filho vale para os irmãos, e quem chega à maioridade pode pedir a inversão. Antes disso, a regra tradicional punha o sobrenome do pai em primeiro.

O sobrenome espanhol é o mesmo para homem e mulher, e não tem forma feminina. A mulher também não troca de sobrenome ao casar, e os documentos espanhóis trazem sempre o nome de solteira.

No Brasil, o costume mais comum é o inverso: o sobrenome da mãe vem antes e o do pai fecha o nome. O imigrante espanhol pode aparecer nos registros brasileiros com um sobrenome só, ou com a grafia adaptada. Na nossa página de cidadania espanhola, o exemplo é o de um Manuel Rodríguez Feijóo, nascido em Ourense, que vira Manoel Rodrigues Feijó na certidão brasileira. Essa divergência precisa ser corrigida antes de qualquer pedido.

Sobrenomes espanhóis que também são portugueses

Pereira, Silva, Costa, Ferreira, Oliveira, Sousa, Araújo, Nogueira, Moreira e Loureiro estão entre os 200 sobrenomes mais comuns da Galícia, no levantamento de Ana Boullón. O galego e o português vêm da mesma língua medieval, e os sobrenomes de lugar das duas margens do rio Minho são, muitas vezes, iguais. Um Pereira brasileiro pode ter vindo de Portugal ou da Galícia, e só o documento diz qual.

Isso pesa no Brasil porque os galegos foram o maior grupo entre os espanhóis que vieram para cá. O livro Brasil: 500 anos de povoamento, do IBGE, registra essa preponderância no capítulo sobre os espanhóis, e conta que o galego imigrante acabou confundido com o português no dia a dia das cidades.

Os patronímicos têm forma própria nos dois países, mas a fronteira entre elas é fácil de atravessar num cartório:

Forma espanholaForma portuguesa
FernándezFernandes
RodríguezRodrigues
GonzálezGonçalves
LópezLopes
MartínezMartins
ÁlvarezAlves
GómezGomes
DíazDias
NúñezNunes
MéndezMendes

A troca correu nos dois sentidos. Na Galícia, Boullón mostra formas galegas passadas para o castelhano, como Martíns para Martínez. No Brasil, o escrivão pode ter escrito o sobrenome espanhol do jeito português. Um Rodrigues de família galega pode ter um Rodríguez na certidão espanhola do bisavô.

O caminho contrário também existe: sobrenomes que parecem espanhóis e são italianos, como Ferrari e Russo. O guia de sobrenomes italianos e o seu significado segue o mesmo raciocínio para a Itália.

Sobrenomes espanhóis raros e a partícula "de"

A Espanha tem mais de 180 mil sobrenomes com mais de cinco portadores, segundo a nota metodológica do INE. O arquivo do instituto lista 86.512 sobrenomes que ao menos 20 pessoas têm em primeiro lugar, e 82.102 deles têm menos de mil. Para comparar: García tem 1.446.937.

Raro, nesta lista, é o sobrenome com menos de mil pessoas em primeiro lugar no país. Os de origem basca e galega aparecem bastante nessa faixa:

SobrenomePessoas na EspanhaRegiãoSignificado
Colazo93GalíciaIrmão de leite, criado pela mesma ama
Vello170GalíciaVelho: distinguia o pai do filho. A forma comum é Bello
Otxoa331País BascoLobo, em basco
Neto616GalíciaNeto
Gorostiaga783País BascoDe gorosti, azevinho: lugar de azevinhos
Aranburu914País BascoDe aran, vale: a cabeceira do vale
Iturriaga935País BascoLugar de fontes

Para saber quantas pessoas têm o seu sobrenome na Espanha e em quais províncias, use o buscador de sobrenomes do INE. Ele mostra o total e o mapa por província de residência e de nascimento.

A partícula "de" não indica nobreza. A Lei 20/2011, no artigo 53, permite pôr "de" antes do primeiro sobrenome por simples declaração, quando ele é também um nome de batismo, e permite ligar os dois sobrenomes com "y". Sobrenomes compostos, como Sánchez-Bravo, contam como um sobrenome só.

Bandeira da Espanha com o brasão nacional, hasteada em um mastro branco

Sobrenomes espanhóis no Brasil

Os espanhóis formaram o terceiro maior grupo de imigrantes do Brasil nas grandes migrações, atrás dos portugueses e dos italianos, segundo o livro do IBGE. Os números divergem muito. O Instituto Espanhol de Emigração estima que cerca de 3,5 milhões de pessoas saíram da Espanha rumo ao Brasil entre 1890 e 1940. O demógrafo Paul Hugon, com base nos registros do governo brasileiro, contou cerca de 600 mil entradas legais no mesmo período. Os espanhóis voltavam muito, com taxas de retorno que chegavam a 50%.

A imigração espanhola foi sobretudo urbana. Santos, Rio de Janeiro e Salvador foram os principais portos de chegada, e Santos ficou conhecida como "Barcelona Brasileira" pela colônia espanhola do porto. Não existe contagem oficial de sobrenomes espanhóis no Brasil, então qualquer lista de "sobrenomes espanhóis mais comuns no Brasil" é estimativa. Pela preponderância dos galegos, os sobrenomes de forma galega, iguais ou parecidos com os portugueses, devem pesar bastante nessas famílias.

Como saber se o seu sobrenome é espanhol

Para saber se o seu sobrenome é espanhol, use a forma do nome como primeira pista e confirme nos documentos da família. Os passos abaixo vão do mais simples ao que exige pesquisa.

  1. Olhe a terminação e a forma. O -ez com acento, como em Fernández, os sobrenomes bascos com etxe e iturri e os catalães como Puig e Mas são pistas fortes. Um -es no fim aponta mais para Portugal ou para a Galícia.
  2. Veja onde ele se concentra. O buscador do INE mostra em quais províncias espanholas o sobrenome é mais frequente. Um sobrenome concentrado numa região dá o primeiro lugar para procurar.
  3. Peça a certidão de inteiro teor do parente mais antigo. A de casamento ou de óbito do imigrante costuma trazer os pais e, às vezes, a cidade espanhola. O artigo sobre apostilamento e certidão em inteiro teor explica o pedido.
  4. Procure o registro de chegada. As listas de bordo e os livros das hospedarias de imigrantes trazem nome, idade e, muitas vezes, a cidade de origem.
  5. Busque a certidão espanhola. Com a cidade em mãos, o Registro Civil do município espanhol emite a certidão de nascimento. Para nascimentos anteriores ao registro civil, os livros de batismo da paróquia são a fonte.
  6. Peça ajuda quando a pista acabar. Quando a família não sabe a cidade ou os documentos se contradizem, a pesquisa genealógica cruza arquivos no Brasil e na Espanha até achar o registro.

Mesmo sobrenome quer dizer mesma família?

Não. Dois García raramente são parentes: os patronímicos nasceram ao mesmo tempo em toda a península, a partir dos mesmos nomes de batismo. O parentesco só se prova com a cadeia de certidões. Sobrenomes raros e ligados a uma casa, como muitos bascos, aproximam famílias de um mesmo vale, e mesmo assim precisam de documento.

Sobrenome espanhol dá direito à cidadania?

Não. Nenhum sobrenome dá direito à cidadania espanhola. O direito pela família depende de quem era espanhol, em que data e em que grau de parentesco com você, e isso se prova com certidões. Pela descendência, a cidadania espanhola é do filho de espanhol.

As regras vigentes estão no Código Civil:

Seu parentescoO caminhoBase legal
Pai ou mãe espanhol quando você nasceuVocê já é espanhol de origem. O pedido é o registro do nascimento no consuladoCódigo Civil, art. 17.1.a
Pai ou mãe nascido na Espanha e espanhol de origemOpção pela nacionalidade no consulado, em qualquer idadeCódigo Civil, arts. 20.1.b e 20.3
Avô ou avó espanhol de origemNão há pedido pelo consulado. O neto pode pedir a nacionalidade depois de 1 ano de residência legal na EspanhaCódigo Civil, art. 22.2.f
Bisavô ou mais longeNão há direito pela descendência. Vale a regra de qualquer brasileiro, 2 anos de residência legalCódigo Civil, art. 22.1

Quem era menor de idade quando o pai ou a mãe se tornou espanhol também pode optar, e nesse caso o prazo termina aos 20 anos (art. 20.1.a e 20.2.c). A residência exigida nos dois últimos casos é legal, contínua e imediatamente anterior ao pedido, pelo artigo 22.3, e o pedido exige boa conduta e integração à sociedade espanhola. A Você Europeu atua na descendência e na opção, com o pedido entregue no consulado. A nacionalidade por residência não faz parte do serviço.

Quando o avô se naturalizou brasileiro, a data conta para o seu pai ou a sua mãe. Se o avô ainda era espanhol quando o seu pai ou a sua mãe nasceu, vale conferir se ele ou ela é espanhol de origem.

A Lei da Memória Democrática terminou

A Lei da Memória Democrática abriu por um tempo o pedido para netos e bisnetos, e o prazo terminou em 22 de outubro de 2025. A Lei 20/2022, na disposição adicional oitava, deu dois anos para o pedido, prorrogáveis por mais um. O fim do prazo está nas orientações oficiais dos consulados espanhóis. Quem pediu ou solicitou o agendamento dentro do prazo, com o comprovante, segue as instruções do consulado.

A lista de sobrenomes sefarditas

Circulam listas de sobrenomes que dariam cidadania espanhola a descendentes de judeus sefarditas. A Lei 12/2015 aceitava um laudo sobre os sobrenomes como uma das provas, ao lado de outras exigências, e dava três anos para o pedido a partir de 1º de outubro de 2015, prorrogáveis por mais um. O prazo terminou, salvo casos excepcionais decididos pelo Conselho de Ministros, e o sobrenome nunca bastou sozinho.

O que define o seu caso

O que define o seu caso está nas certidões: quem nasceu na Espanha, se era espanhol quando o filho seguinte nasceu, se alguém se naturalizou em outro país e as datas de cada geração. A grafia diferente não impede o pedido, mas a correção entra antes da entrega dos documentos. Com o direito confirmado, o pedido vai ao consulado da sua região, e o guia de agendamento no consulado espanhol mostra como marcar o atendimento.

A página de cidadania espanhola explica cada caminho. Se você quer saber se a sua família tem um caminho pelo consulado, a Você Europeu faz uma avaliação gratuita da sua linha familiar antes de você gastar com certidão.

Perguntas frequentes

Quem tem direito

Quais sobrenomes dão direito à cidadania espanhola?

Nenhum sobrenome dá direito à cidadania espanhola. O direito pela família depende de quem era espanhol, em que data e em que grau de parentesco com você, e isso se prova com certidões. Pela descendência, o pedido no consulado é do filho de espanhol, por registro do nascimento ou por opção.

Neto de espanhol tem direito à cidadania espanhola?

Pelo consulado, não. Desde o fim do prazo da Lei da Memória Democrática, em 22 de outubro de 2025, o neto de espanhol de origem só pode pedir a nacionalidade depois de 1 ano de residência legal na Espanha, pelo artigo 22.2.f do Código Civil. Se o seu avô ainda era espanhol quando seu pai ou sua mãe nasceu, vale conferir se ele ou ela é espanhol de origem.

O que mudou na regra

Ainda dá para pedir a cidadania espanhola pela Lei da Memória Democrática?

Não para novos pedidos. O prazo da Lei da Memória Democrática terminou em 22 de outubro de 2025. Quem apresentou o pedido ou solicitou o agendamento dentro do prazo, com o comprovante, segue as instruções do consulado. Para os demais casos valem as regras permanentes do Código Civil.

Sobrenome sefardita dá direito à cidadania espanhola?

Não. A Lei 12/2015, voltada a descendentes de judeus sefarditas, aceitava um laudo sobre os sobrenomes como uma das provas, ao lado de outras exigências, e o prazo para os pedidos já terminou, salvo casos excepcionais decididos pelo governo espanhol. As listas de sobrenomes sefarditas que circulam na internet não dão direito a nada sozinhas.

Documentos

Qual é o sobrenome mais comum da Espanha?

García é o sobrenome mais comum da Espanha. Segundo o INE, 1.446.937 pessoas o têm como primeiro sobrenome, com dados de 1º de janeiro de 2025. Depois vêm Rodríguez, González, Fernández e López. García vem de um nome de batismo medieval, de origem discutida.

O que significa a terminação ez nos sobrenomes espanhóis?

A terminação -ez quer dizer "filho de". Ela marca o patronímico, o sobrenome formado a partir do nome do pai: Fernández é o filho de Fernando, Rodríguez o filho de Rodrigo e Pérez o filho de Pero, forma medieval de Pedro. Em português o mesmo sufixo virou -es, como em Fernandes e Rodrigues.

Como saber se meu sobrenome é espanhol ou português?

Pela forma você tem uma pista, e pelo documento você tem a resposta. O -ez com acento aponta para a Espanha e o -es para Portugal ou para a Galícia, mas sobrenomes como Pereira, Silva e Costa existem nos dois países. A certidão do parente mais antigo, com a cidade de nascimento, resolve a dúvida.

Por que os espanhóis têm dois sobrenomes?

Porque a lei espanhola dá a cada pessoa o primeiro sobrenome do pai e o primeiro da mãe. Os pais escolhem de comum acordo a ordem, e sem acordo o encarregado do Registro Civil decide pelo interesse do filho, pela Lei 20/2011. Na certidão do bisavô, o segundo sobrenome mostra a família da mãe dele.

Meu sobrenome espanhol foi escrito em português no Brasil. Isso impede a cidadania?

Não impede, mas precisa de correção. O registro brasileiro pode trazer Rodrigues no lugar de Rodríguez, ou Feijó no lugar de Feijóo. A retificação entra antes da entrega dos documentos no consulado, para que todas as certidões mostrem a mesma pessoa.